JUNIOR, Arnaldo Pinto. As potencialidades da história local para a produção de conhecimento em sala de aula: o enfoque do município de Sorocaba. In: História: Área do conhecimento. Ano ,1 nº 3, 2001, pp. 37 à 40
Com base no texto, o autor argumenta que em suas experiências educacionais com educando de nível fundamental e médio houve momentos de alegria e aflições, pois, mediante as práticas impostas pelo sistema educacional brasileiro, o historiador Sergio Buarque de Holanda, citado pelo autor, leva-o a uma reflexão profunda sobre seu trabalho, sua individualidade mediante as idéias coletivas e predominantes que eram estabelecidas por meios sociais.
Nesse sentido, as pessoas consideram os valores e culturas europeizantes influentes desvalorizando a sua história local. As palavras abaixo comprovam o “estranhamento do sujeito histórico em relação ao seu espaço, ao seu tempo e às suas idéias”. (ARNALDO 2001, p.37 apud BUARQUE). Dessa forma, foi observado o afastamento dos alunos em relação ao tema estudado, demonstrando assim, clareza da ausência do relacionamento com a comunidade, sua cultura e seu país.Nesse sentido, é difícil a aproximação dos alunos em espaços públicos a serem estudados, pois eles não são estimulados para esse cotidiano.
Arnaldo, (2001) ressalta que, pretende neste artigo notabilizar algumas práticas impostas ao estudo da história. A escola enquanto espaço educacional reproduz uma visão tradicional da disciplina, tornando-a para muitos uma disciplinas apenas de conteúdos a serem gravados e memorizados de forma única e verdadeira, como se a história só fosse estudada, por um único caminho de diferentes conhecimentos.
Com base nesses princípios, Arnaldo(2001) reflete sobre um processo inovador no ensino-aprendizagem de história, pois se baseará em elementos motivadores de estudos, valorizando o cotidiano e de certa forma as experiências vividas pelos alunos, que os levará a produção do conhecimento histórico mediado pelo professor, tendo como objetivo que o alunando, reconheça, valorize e problematize suas raízes familiares, políticas, sociais e culturais por meio de documentos históricos e que possa também relacionar o presente com o passado.
O autor Arnaldo (2001), descreve que é possível, construir um conhecimento por meio da história local, a vista que surge a importância de uma análise mais desenvolvida. Arnaldo (2001) cita no texto o historiador Marcos A. da Silva e outros historiadores onde os mesmo relatam que é possível desfazer do engano de teorias históricas, através de trabalhos locais elaborados, induzindo ao aluno a contextualizar o seu habitar, observando o espaço, o local e o determinado tempo em que os fatos ocorrem igualando com as visões históricas gerais.
Ressalta o enriquecimento e a valorização a partir das experiências adquiridas, pois o resgate da história local abriria perspectivas históricas que não tem ênfase na história tradicional. Desta forma, o autor apresenta uma proposta de ensino, direcionada para o Município de Sorocaba, cujas experiências vividas no município conduzam a uma discussão pela ideia de modernidade introduzida na cidade desde 1903, os setores sócias publicava o avanço por meio da denominação Manchester Paulista, pois a produção econômica e a importância política e cultural ressaltam as suas relações sociais simbolizando um grande avanço qualitativo.
O progresso chega a Sorocaba no ano de 1880, visto que as instalações industriais do ramo têxtil deixam no passado a sua história de empobrecimento das feiras de animais que não mais suportava a concorrência devido à modernização do país. Com a prosperidade e a modernização progressista no campo das idéias no Brasil republicano, passam a defender as mais avançadas técnicas industriais para o crescimento da São Paulo e do Brasil. É de fundamental importância esclarecer as condições internas da Manchester Paulista para se compreender os seus ideais e representações que ainda estão fazendo parte do “olhar neoliberal” da sociedade (Arnald, 2001 p.39). Com esse ideal o olhar este sempre voltado para o futuro e o progresso de todos, pois, a Manchester Paulista não só se constituiu como empregadora e facilitadora de vida, reafirmando a discriminação e o preconceito social, mantendo as estruturas sócias econômicas no período imperial.
A versão antidemocrática do regime da elite sorocabana realça o momento em pleno século XX, onde o Brasil republicano perde sua força diante dos positivistas centralizadores e evolucionista. Mediante ao progresso, o crescimento da economia e melhores condições de vida, a elite carioca compenetra a suas responsabilidades pelo direcionamento da cidade. O autor Arnaldo (2001), evidencia a importância de que o aluno questiona o discurso da Manchester Paulista, baseado em sua idéia justificada por meio de suas experiências vivenciada, pois, poderá trazer fatos essenciais não esclarecidos na história da cidade. Com o questionamento de documentos indagados, do passado fará que os alunos busquem compreender a clareza e as relações políticas e sociais, do crescimento industrial. Portanto, pontos interessantes para uma reflexão entre o confronto dos alunos e dos jornalistas, políticos, publicitários, através das informações colhidas nas pesquisas de campo seriam viáveis no esclarecimento de informações não relatadas por falta de clareza política.
Nesse sentido, baseando-se nos documentos escritos e nas suas percepções, os grupos da classe poderiam reavaliar a historia da sua cidade num processo mediado pelo professor que acompanharia os alunos na construção histórica, de modo que suas análises introduzirão novos saberes da historia local. Finalmente, o processo de ensino aprendizagem, que o autor destaca em seu texto, de como lidar com a história local através da pesquisa e do embasamento dos documentos na perspectiva da historia global, sensibilizará os envolvidos, despertando sua capacidade de produzir conhecimentos por meio dessa história e demonstrar a importância política e as potencialidades sócio culturais. Será valorizado pelo aluno as suas experiências vivenciadas anteriormente, podendo assim surgir novas visões e reflexões históricas. Por fim Arnaldo (2001) relata sobre a motivação que deve ser compartilhada por todos no processo de ensino aprendizagem, valorizando a recuperação das memórias preservadas por documentos históricos e discutidas dentro e fora do âmbito escolar sem alterar a singularidade tanto do passado quanto a do presente.